Estados Afetivos
Talvez pela intensa malha de conexões entre a área pré-frontal e as estruturas límbicas tradicionais, a espécie humana é aquela que apresenta a maior variedade de sentimentos e emoções.
Embora alguns indícios de afetividade sejam percebidos entre os pássaros, o sistema límbico só começou a evoluir, de fato, a partir dos primeiros mamíferos, sendo praticamente inexistente em répteis e anfíbios e em todas as outras espécies que os precederam.
Aliás, no dizer de Paul MacLean, fica difícil imaginar um ser mais solitário e emocionalmente mais vazio do que um crocodilo. Dois comportamentos, com conotação afetiva, surgidos com o advento dos mamíferos (os pássaros também os exercem, mas com menor intensidade), merecem ser destacados, pela sua peculiaridade : o especial e prolongado cuidado das fêmeas para com seus filhotes e a tendência à brincadeira. E quanto mais evoluído o mamífero, mais acentuados são esses comportamentos.
Já a ablação de partes importantes do sistema límbico (as experiências foram feitas com hamsters) faz com que o animal perca tanto a afetividade maternal quanto o interesse lúdico.
E a evolução dos mamíferos nos traz até o homem : O nosso antepassado hominídeo certamente diferenciava as sensações que experimentava em ocasiões distintas, como estar em sua caverna polindo uma pedra, correndo atrás de um animal mais fraco, fugindo de um animal mais forte ou caçando uma fêmea da sua espécie.
Com o desenvolvimento da linguagem, nomes foram atribuídos a essas e a outras sensações, permitindo sua delimitação e explicitação a outros membros do grupo. Porém, até hoje, dada a existência de um componente subjetivo importante, difícil de ser comunicado, não existe uniformidade quanto a melhor terminologia a ser empregada para designar essas sensações.
Assim é que utiliza-se, de maneira imprecisa e intercambiável, quase como sinônimos, os termos afeto, emoção e sentimento. Entretanto, assim pensamos, a cada uma dessas palavras deve ser atribuída uma definição precisa, em respeito à etimologia e às diferentes reações físicas e mentais que produzem.
Afeto (do Latim affectus, significando afligir, abalar, atingir) é definido por Aurélio como sendo "um conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos ou paixões, acompanhadas sempre da impressão de prazer ou dor, de satisfação ou insatisfação, agrado ou desagrado, alegria ou tristeza" , Curiosamente, existe uma tendência universal para só considerar como afeto (e seus derivados, afetividade, afeição, etc) as impressões positivas.
Assim, ao se dizer "sinto afeto por fulana" estou manifestando amor ou carinho; nunca raiva ou medo. Já em relação às emoções e sentimentos, o uso se aplica nos dois sentidos : "ela tem bons sentimentos; eu tenho sentido emoções desagradáveis."
No dizer de Nobre de Melo, os afetos designam, genericamente, situações vivenciadas, sob a forma de emoções ou de sentimentos.
Emoções (do Latim emovere, significando movimentar, deslocar) são, como sua própria etmologia sugere, reações manifestas frente àquelas condições afetivas que, pela sua intensidade, mobilizam-nos para algum tipo de ação.
Confrontando a opinião de vários autores, podemos dizer que as emoções se caracterizam por uma súbita ruptura do equilíbrio afetivo.
Quase sempre são episódios de curta duração, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, sobre diversos órgãos, criando um bloqueio parcial ou total da capacidade de raciocinar com lógica. Isto pode levar a pessoa atingida a um alto grau de descontrole psíquico e comportamental.
Por contraste, os sentimentos são tidos como estados afetivos mais duráveis, causadores de vivências menos intensas, com menor repercussão sobre as funções orgânicas e menor interferência com a razão e o comportamento. Exemplificando : amor, medo e ódio são sentimentos; paixão. pavor e cólera (ou ira) são emoções.
Existem, ainda, duas condições bem caracterizadas que, de certa forma, estão inseridas no contexto da vida afetiva, posto que, dependendo da intensidade dos afetos, elas podem resultar destes e, as vezes, com eles se confundirem.
Estamos nos referindo aos distúrbios do humor, representados pelas depressões e euforias maníacas e a diminuição do estado de relaxamento mental com reação de alerta, representada pela ansiedade.
Ao longo dos séculos, filósofos, médicos e psicólogos estudaram os fenômenos da vida afetiva, questionando sua origem, seu papel sobre a vida psíquica, sua ação favorecedora ou prejudicial à adaptação, seus concomitantes fisiológicos e seu substrato neuroendócrino.
As manifestações afetivas teriam, como causa última, a capacidade da matéria viva de responder a estímulos sobre ela incidentes. Existem duas teorias clássicas e antagônicas sobre a questão.
A primeira, defendida, por Darwin e seus seguidores, prega que as reações afetivas seriam padrões inatos destinados a orientar o comportamento, com a finalidade de adaptar o ser ao meio ambiente e, assim, assegurar-lhe a sobrevivência e a da sua espécie.
Os distúrbios orgânicos que podem acompanhar o processo, seriam apenas uma consequência de natureza fisiológica. Em oposição, outros, como William James, afirmam que, diante de um determinado estímulo, real ou imaginado, o organismo reagiria com uma série de alterações neurovegetativas, musculares e víscerais.
A percepção de tais alterações originaria estados afetivos correspondentes. E existe uma terceira posição, mais moderna, que propõe soluções de compromisso entre as duas teorias clássicas.
É o caso de Lehmann, o qual afirma que o afeto é um fenômeno complexo, que se inicia por um processo central, a partir de uma causa interna ou externa. Ele se manifesta como uma alteração do "eu" e pode desencadear movimentos reflexos faciais e variadas alterações orgânicas.
À medida que os sintomas corporais aumentam de intensidade, o afeto torna-se mais mobilizador e se define como uma emoção.
Esta idéia encontra sustentação na clinica, no tratamento de pacientes com fobias de desempenho, os quais, diante de situações que temem (falar em público, por exemplo), apresentam palpitações, suores, dificuldade de respirar, etc.
Betabloqueadores que não atravessam a barreira hemato-encefálica, e portanto, não agem sobre centros cerebrais e sim na periferia, bloqueando os fenômenos neurovegetativos, "esvaziam" a ansiedade, permitindo maior controle da fobia.
Divergem ainda as opiniões quanto a relação entre os estados afetivos e a razão. Algumas correntes filosóficas e religiosas consideram os aspectos afetivos da personalidade como inferiores, negativos ou pecaminosos, necessitando ser controlados e dominados pela razão.
Claparède, em um artigo intitulado "Feelings and emotions", conceitua as emoções como fenômenos inúteis, desadaptativos e prejudiciais, verdadeiros vestígios de reações ancestrais.
Ao contrário dos sentimentos, que seriam úteis, permitindo aos seres humanos estimar o valor das coisas às quais deve adaptar-se, distinguindo o benéfico do nocivo. Nas palavras do autor : " a observação mostra quão desadaptativos são os fenômenos emocionais.
As emoções ocorrem precisamente quando a adaptação é obstaculizada por qualquer motivo"..."A análise das reações corporais nas emoções evidenciam que a pessoa não realiza movimentos adaptativos, mas, ao contrário, reações que lembram instintos primitivos indefinidos." ..."Longe de ser o lado psíquico de um instinto, a emoção representa uma confusão desse instinto,"
Outros autores, porém, consideram as reações afetivas como fatores favorecedores da adaptação e da sobrevivência, induzindo determinadas condutas e inibindo outras.
Para eles, mesmo emoções intensas, tidas como desorganizadoras, poderiam favorecer a sobrevivência, porque a desorganização seria seletiva, eliminando algumas ações mas permitindo que outras acontecessem. A nosso ver, quando dentro de determinados limites, a participação afetiva reforça o componente cognitivo, dando maior sabor às vivências do cotidiano e facilitando os comportamentos adaptativos. Contudo, acima do limite, as emoções comprometem a capacidade de raciocínio e, abaixo, como ressalta Damásio em "O Erro de Descartes", a afetividade escasseia, empobrecendo a vida.
afetividade
A afetividade é parte de nossa vida psíquica e para estudar o ser humano temos que considerar a importância dos afetos. Muitas vezes programamos uma forma de agir e quando nos deparamos com a situação fazemos tudo completamente diferente.
Isto acontece porque os afetos interferem no nosso comportamento. Para algumas teorias, os afetos dão significado aos estímulos do mundo externo.
A vida afetiva é composta por dois afetos básicos que são o amor e o ódio e que também estão juntos em nossas ações e pensamentos. Ao falarmos em afetividade temos que considerar as emoções, que são expressões da vida afetiva e que são acompanhadas de reações breves e intensas do organismo em resposta de um acontecimento inesperado.
A emoção aparece acompanhada de fortes batimentos cardíacos e, por muito tempo, este fato fez com que as pessoas acreditassem que o coração fosse o lugar das emoções.
Tremores, risos, choro, lágrimas, expressões faciais, jeito de falar e outras reações orgânicas também acompanham as emoções.
Cada cultura tem expressões diferentes para as emoções. Estas reações são descargas de tensão do organismo emocionado. Em toda cultura, além de acontecer uma estimulação para certos tipos de expressão emocional, há a repressão de outras.
Os homens da nossa cultura, por exemplo, são “proibidos” de chorar, como se o choro fosse um sinal de fraqueza, e as mulheres são mais incentivadas a expressar o que sentem.
Estas reações são aprendidas através do que a cultura seleciona. Uma mesma reação pode expressar emoções diferentes e assim, por exemplo, podemos chorar de tristeza ou de alegria. De acordo com as emoções que temos, diante de cada situação, podemos avaliar melhor o que nos acontece.
Elas têm uma função adaptativa e também estão ligadas a uma possibilidade de linguagem, na medida em que podemos dizer ao outro o que sentimos, através delas.
As emoções podem ser de raiva, nojo, medo, vergonha, desprezo, tristeza, alegria, empolgação, amor, paixão, atração e outras.
Podem ser fortes, fracas, passageiras duradouras e podem mudar com o tempo, fazendo com que uma coisa que nunca nos emocionou passe a nos emocionar. Podemos ou não saber definir que tipo de emoção estamos sentindo em determinadas situações porque, às vezes, a emoção é meio difusa.
Outra forma de expressão de nossa afetividade são os sentimentos, que são diferentes das emoções por serem mais duradouros, por não serem reações tão explosivas e pelas reações orgânicas que não são tão intensas.
Os sentimentos são mais amenos e podem ser a amizade, a ternura e outros. As manifestações de nossa afetividade estão presentes em tudo que fazemos.
Autoria: Elisangela de Fátima Globo
Isto acontece porque os afetos interferem no nosso comportamento. Para algumas teorias, os afetos dão significado aos estímulos do mundo externo.
A vida afetiva é composta por dois afetos básicos que são o amor e o ódio e que também estão juntos em nossas ações e pensamentos. Ao falarmos em afetividade temos que considerar as emoções, que são expressões da vida afetiva e que são acompanhadas de reações breves e intensas do organismo em resposta de um acontecimento inesperado.
A emoção aparece acompanhada de fortes batimentos cardíacos e, por muito tempo, este fato fez com que as pessoas acreditassem que o coração fosse o lugar das emoções.
Tremores, risos, choro, lágrimas, expressões faciais, jeito de falar e outras reações orgânicas também acompanham as emoções.
Cada cultura tem expressões diferentes para as emoções. Estas reações são descargas de tensão do organismo emocionado. Em toda cultura, além de acontecer uma estimulação para certos tipos de expressão emocional, há a repressão de outras.
Os homens da nossa cultura, por exemplo, são “proibidos” de chorar, como se o choro fosse um sinal de fraqueza, e as mulheres são mais incentivadas a expressar o que sentem.
Estas reações são aprendidas através do que a cultura seleciona. Uma mesma reação pode expressar emoções diferentes e assim, por exemplo, podemos chorar de tristeza ou de alegria. De acordo com as emoções que temos, diante de cada situação, podemos avaliar melhor o que nos acontece.
Elas têm uma função adaptativa e também estão ligadas a uma possibilidade de linguagem, na medida em que podemos dizer ao outro o que sentimos, através delas.
As emoções podem ser de raiva, nojo, medo, vergonha, desprezo, tristeza, alegria, empolgação, amor, paixão, atração e outras.
Podem ser fortes, fracas, passageiras duradouras e podem mudar com o tempo, fazendo com que uma coisa que nunca nos emocionou passe a nos emocionar. Podemos ou não saber definir que tipo de emoção estamos sentindo em determinadas situações porque, às vezes, a emoção é meio difusa.
Outra forma de expressão de nossa afetividade são os sentimentos, que são diferentes das emoções por serem mais duradouros, por não serem reações tão explosivas e pelas reações orgânicas que não são tão intensas.
Os sentimentos são mais amenos e podem ser a amizade, a ternura e outros. As manifestações de nossa afetividade estão presentes em tudo que fazemos.
Autoria: Elisangela de Fátima Globo
Intuição (Insight); Verdadeira, Falsa, Impulso
Que entendemos por intuição? Por sentimento intuitivo, entendemos um sentimento não racionalizado, não muito logicamente pensado, um sentimento que atribuímos a uma fonte situada fora da mente, a que chamamos um lampejo da consciência superior.
Sem compreender integralmente o processo do desejo, não podeis confiar na intuição, pois ela pode ser extraordinariamente enganosa. (…) Não alegueis que os cientistas têm a percepção intuitiva de um problema. Os cientistas trabalham, impessoalmente, lutam com o problema, lutam, lutam, e, não conseguindo achar a solução, põem-no de lado; quando recomeçam a trabalhar, vêem subitamente a solução - eis a sua intuição. (…)
Acontece com a maioria de nós que a mente-coração não é capaz de permanecer aberta para tal êxtase. A “inspiração” é acidental, não provocada, grande demais para a nossa mente-coração. A inspiração é maior do que aquele que a experimenta, e por isso procura ele baixá-la ao seu próprio nível, à órbita de sua compreensão.
Pergunta: “Insight” não é intuição? O senhor poderia discutir essa súbita clareza que algumas pessoas têm? (…)
Krishnamurti: Durante as várias palestras já realizadas, o orador tem usado a palavra “insight”. Isso significa ver dentro das coisas, dentro do mecanismo total do pensamento (…) Não é análise, não é exercício da capacidade intelectual, nem resultado do conhecimento. (…) (Perguntas e Respostas, pág. 20)
Essa palavra, “intuição”, é, pode-se dizer, uma palavra ardilosa, que muitos usam. A realidade da intuição pode ser resultado do desejo. Uma pessoa pode desejar algo e, então, após alguns dias, ter uma intuição sobre isso. (…) Fica-se então em dúvida quanto a essa palavra, especialmente quando é usada por pessoas um tanto românticas, imaginativas, sentimentais e que buscam algo.
Portanto, o que é “insight”? É perceber algo instantaneamente, algo verdadeiro, lógico, sensato, racional. O insight deve operar instantaneamente. Não se trata de se ter um insight e não se fazer nada a respeito. Se a pessoa tem um insight dentro da natureza total do pensamento, há uma ação instantânea. (Perguntas e Respostas, pág. 21)
Por outro lado, um insight significa que há uma ação que não é uma simples repetição do pensamento. Ter um insight (…) significa que se está observando sem recordações, sem argumentação pró e contra, é somente observar o movimento e a natureza totais da necessidade (…) Uma pessoa tem um insight disso e, a partir daí, ela age. E essa ação é lógica, sensata e saudável. Uma pessoa não pode ter um insight e agir de modo oposto; isso não é um insight. (Idem, pág. 21)
Insight é a percepção total de todo esse movimento complexo de mensuração. Você só pode ter esse insight quando percebe sem conhecimento prévio, pois, se estiver usando seus conhecimentos, então ele é comparativo, mensurável.
O insight não é mensurável. Quando há o insight imensurável, o desdobramento de todo o mecanismo de comparação não só é dividido, mas cessa imediatamente. Você pode testar isso; (…) (Perguntas e Respostas, pág. 113)
Pergunta: A intuição compreende a experiência passada e mais alguma coisa, ou somente a experiência passada?
Krishnamurti: Para mim, intuição é inteligência, e inteligência não é a experiência do passado, mas a compreensão dessa experiência. (A Luta do Homem, pág. 51)
Para mim, o passado é uma carga, e representa apenas lacunas na compreensão. (…)
Mas, se houver ação espontânea no presente, em contínuo movimento, nela haverá inteligência, e essa inteligência é intuição. A inteligência não pode separar-se da intuição. (Idem, pág. 51-52)
Como pode o indivíduo despertar essa inteligência, essa intuição criadora que compreende o significado da realidade sem o processo da análise e da lógica? Por intuição não quero dizer preenchimento do desejo, como faz a maioria das pessoas. Se a moral, que significa relações mútuas, for baseada na inteligência e na intuição, então haverá riqueza, plenitude e uma constante beleza na vida. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 31)
Para que possa vir à existência essa intuição criadora, todo anseio com seus temores deve cessar. A cessação da carência não é resultado da abstenção. Nem por meio da análise cuidadosa pode o desejo ser racionalmente afastado. A libertação da carência, de seus temores e ilusões, vem por meio da percepção silenciosa e persistente, sem a escolha deliberada da volição (…)
Ora, quando é que compreendeis (…) Não sei se já notastes que só há compreensão quando a mente está muito quieta (…); dá-se o lampejo da compreensão quando não há verbalização do pensamento. Experimentai-o e vereis que tendes o clarão da compreensão, aquela extraordinária rapidez da intuição, quando a mente está muito tranqüila, quando o pensamento está ausente (…)
Explicarei novamente (…) Se entenderdes isto, se realmente sentirdes com todo o vosso ser - isto é, emocional e mentalmente - a futilidade da escolha, então já não escolhereis; então há discernimento; há resposta intuitiva que é livre de escolha, e isso é apercebimento.
É preciso muito cuidado com esta palavra “intuição”; nela se encerra muita ilusão, porquanto a intuição pode ser ditada por nossas próprias esperanças, temores, amarguras, desejos, etc. Procuramos uma solução de ordem intelectual ou emocional, como se o intelecto fosse coisa separada da emoção, e a emoção, da reação física
Não estou negando que haja intuição, porém o que a pessoa mediana, vulgar, denomina intuição, não é a verdadeira
A palavra “intuição” (…) é perigosa em extremo. Desejo uma certa coisa muito profundamente; sinto que é um desejo justo, e chamo-o “intuição”. (…) Só de uma coisa sabemos: que nossa mente, tal como os macacos, está sempre inquieta, a fazer algazarra, a saltar de um lado para outro, a mexer-se incessantemente, a pensar, a afligir-se. (…)
Dizemos então: “Como exercitá-la para quietar-se?”. Passamos anos e anos a exercitá-la para quietar-se e, ao cabo desse tempo, ela se torna um macaco de outra espécie. (
Krishnamurti: Quando falamos de intuição, voz interior, que quer dizer isso? Essa voz interior pode ser completamente falsa. (…) Estou procurando averiguar se a intuição é verdadeira ou falsa. Ora, sem dúvida, enquanto não compreendemos o processo do desejo, consciente (…) e inconsciente, não podemos fiar-nos na intuição, porque o desejo pode conduzir-nos a certos “fatos” que não são fatos absolutamente. (…)
(…) Pelo discernimento sem escolha, se desperta a intuição criadora, a inteligência que é a única a poder libertar a mente-coração dos múltiplos processos sutis da ignorância, da carência e do medo.
A crença não deve ser confundida com a intuição, e a intuição não é preenchimento de desejo. A crença (…) baseia-se na evasão, na frustração, na limitação, e essa mesma crença impede a mente-coração de dissolver a ignorância autocriada.
(…) Não estando diretamente em contacto com um Mestre, precisamos depender ou dum intermediário, ou de nossa chamada intuição. A dependência de um intermediário destrói a compreensão e o amor; (…) condiciona a mente; e a chamada intuição tem seus graves perigos, pois ela pode ser somente um desejo auto-enganador.
O importante ,pois, é que se perceba a verdade num súbito clarão, que se esteja sensível num tão alto grau, que o fato revele instantaneamente a verdade. Mas isso requer muita humildade;
(…) Quanto mais harmonizarmos os nossos sentimentos fortes e a mente penetrante pelo aperfeiçoamento e purificação, tanto mais aptos estaremos para ouvir essa Voz, a Intuição, que é comum a todos, a Intuição que é da Humanidade e não de um indivíduo particular (…)
Assimilando esse ideal (…) Uma perfeita harmonia de emoções e da mente é essencial para que essa Intuição, essa Voz do vosso verdadeiro Ego (Self) se possa expressar. A Intuição é o cochicho do Espírito.
(…) Se nesse momento entenderdes com todo o vosso ser, se nesse momento ficardes consciente da futilidade da escolha, então brotará daí a flor da Intuição, a flor do discernimento. A ação que daí nasce é infinita; então a ação é a própria vida.
Para cultivar essa Voz até se tornar o único Tirano, a única Voz a que obedecemos, temos de descobrir o nosso alvo e trabalhar incessantemente para atingi-lo. (…) A primeira coisa essencial é o fortalecimento dessa Voz que de vez em quando se afirma por si mesma em cada um de nós. E ao cultivarmos e enobrecermos a Intuição, devemos aprender a pensar e a agir por nós mesmos. O culto dessa Voz da Intuição quer dizer uma vida de acordo com os seus éditos.
(…) Quando tendes esse desejo, essa capacidade de vos encher com o Seu gênio, com a Sua força, com a Sua nobreza, então vós próprios vos enobreceis e aprendeis a refletir a Sua divina originalidade, todas as fontes de beleza, de criação; e as tentativas de ser original, belo, criador, são de pouco proveito se não tivermos a compreensão e a capacidade de alcançar a fonte das coisas. (…)
A única autoridade que reconheceis, o único comando que admitis, deve ser a Voz dessa Intuição, que é inalterável, que coisa alguma no mundo pode abalar. Desse modo desenvolvereis gradualmente esse senso de beleza, que é vossa própria criação (…)
Deveis viver lá vossa própria vida, obedecer à vossa própria Voz, achar vosso próprio Mestre (…) Não podeis ser felizes enquanto não fizerdes a felicidade de outros, e só podeis tornar outros felizes, se houverdes entrado nesse Reino, se houverdes colhidos os murmúrios daquela Voz que é Eterna (…)
E, como disse antes, deve vir um tempo, virá um tempo, em que aquela Voz, aquele Tirano, vos dirá que renuncies a tudo e a sigais; e para esse tempo deveis estar preparados. Deveis ter o vosso jardim bem sachado e cultivado, e as suas flores prontas a serem colhidas. Então podereis dar da vossa devoção, da vossa inteligência, com maior certeza, com maior conhecimento de que elas serão aproveitadas, porque as exercitastes, porque as cultivastes, porque conheceis a capacidade delas; (…)
Enquanto marchardes com visão clara, enquanto ouvirdes essa Voz que é universal e a ela obedecerdes, não importa o que diga quem quer que seja no mundo; porque estareis com a razão, quando estiverdes obedecendo ao Altíssimo. (…)
Como o trovão é cheio de forças, ameaças e mistério, assim é a Voz da Verdade no homem forte. Como a voz do trovão é projetada de montanha em montanha, e como cada montanha a recebe e devolve a outra, assim é a voz dEle - o nosso Governador, nosso Legislador, nosso Guia e nosso Amigo - no homem que está seguindo a Verdade absoluta, a Verdade de sua própria criação.
Como, porém, posso ter essa visão intuitiva? O que devo fazer, ou não fazer, para ter essa visão intuitiva instantânea, que não pertence ao tempo, (…) à memória, que não possui nenhuma causa (…)? Portanto, como a mente tem essa visão intuitiva? (…) Essa visão intuitiva torna-se possível se a sua mente estiver liberta do tempo.
(…) Antes, a ação estava baseada no pensamento. Agora, quando existe visão intuitiva, há somente ação. (…) Porque a visão intuitiva é racional, a ação é racional. A ação se torna irracional quando atua a partir do pensamento. Portanto, a visão intuitiva não usa o pensamento.
Uma visão intuitiva parcial. Os cientistas, os pintores, os arquitetos, os médicos (…) têm uma visão intuitiva parcial. Estamos falando, porém, de “X” e de “Y”, que estão procurando a base; estão se tornando racionais, e estamos dizendo que a visão intuitiva não possui tempo e, portanto, não possui pensamentos, e essa visão intuitiva é ação. (…)
É possível termos uma visão intuitiva total, o que representa o fim de “mim”, porque o “mim” é o tempo? O “mim”, meu ego, minha resistência, minhas mágoas, tudo isso. Esse “mim” pode acabar? É somente quando ele acaba que ocorre a visão intuitiva total; foi isso que descobrimos.
Porque se você possui essa visão intuitiva, ela é uma paixão, e não apenas uma hábil visão intuitiva; ela é uma paixão que não permitirá que fique parado; terá de se mover, dar seja lá o que for. (…) Você possui a paixão dessa visão intuitiva; e essa paixão é como um rio com um grande volume de água que transborda; ela tem de avançar da mesma maneira.
Não necessariamente. Poderíamos considerar que a visão intuitiva é um movimento mais amplo do que o processo material que ocorre no cérebro e, conseqüentemente, que o movimento mais amplo pode agir sobre o movimento mais restrito, mas o mais restrito não pode agir sobre o mais amplo.
Sim, estamos dizendo a mesma coisa. (Idem, pág. 139) [N.Revisor: Este parágrafo não acrescenta coisa alguma à obra. Sugiro eliminá-lo.]
Uma coisa acaba de surgir na minha mente. O amor não tem nenhuma causa. O ódio tem uma causa. A visão não tem nenhuma causa. O processo material, como o pensamento, tem uma causa. Certo? (Idem, pág. 143)
Uma vez que a visão intuitiva não possui causa, ela tem um efeito preciso sobre aquilo que tem causa. (Idem, pág. 143)
É um lampejo, naturalmente, e esse lampejo altera todo o padrão, opera sobre ele; usa o padrão, no sentido de que eu argumento, raciocino, uso a lógica, e tudo isso. (…) (Idem, pág. 144)
O processo material está trabalhando na escuridão, no tempo, no conhecimento, na ignorância. Quando, surge a visão intuitiva, ocorre a eliminação daquela escuridão. Isso é tudo que estamos dizendo. A visão intuitiva elimina aquela escuridão (…) Conseqüentemente, essa luz alterou, digo, ela pôs fim à ignorância. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 147)
(…) Essa escuridão existe enquanto o “eu” (self) está ali; ele é o criador dessa escuridão, mas a luz dissipa exatamente o centro da escuridão. Isso é tudo. (…) (Idem, pág. 149)
O pensamento tem atuado na escuridão, criando sua própria escuridão e funcionando nela; e a visão intuitiva é, como dissemos, como um lampejo que atravessa a escuridão. Quando, então, essa visão intuitiva clareia a escuridão, o homem pode atuar, ou funcionar racionalmente? (Idem, pág. 159)
Dissemos que, enquanto o centro estiver criando a escuridão, e o pensamento estiver operando nela, haverá desordem e a sociedade será como é agora. Para nos afastarmos disso, temos de ter a visão intuitiva. A visão intuitiva só pode ocorrer quando há um lampejo, uma luz, uma luz repentina, que elimina não apenas a escuridão como também o seu criador. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 162)
Não está ligada ao tempo. Dissemos que a visão intuitiva é a eliminação da escuridão, que é o próprio centro do “eu” (self) (…) A visão intuitiva dissipa exatamente esse centro. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 160)
Naquela base não há escuridão como escuridão, ou luz como luz. Naquela base não há divisão. Nada tem origem na vontade, no tempo, ou no pensamento.
D.B. [N.Revisor: Essas iniciais não significam nada para os novos leitores. Precisamos especificar que é o David Bohm]: Está dizendo que aquela luz e aquela escuridão não estão divididos?
Krishnamurti: Exatamente.
D.B.: O que é a mesma coisa que dizer que não há nem uma nem outra coisa?
Krishnamurti: Nem uma nem outra; é isso mesmo. Há algo mais. Há uma percepção de que existe um movimento diferente, que é “não-dualista” (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 171)
Quero me referir ao movimento, o movimento que não é tempo. Esse movimento não cria divisão. Portanto, quero voltar, chegar à base. Se, nessa base, não há nem escuridão nem luz, não há divisão - o que acontece então? (Idem, pág. 171)
Dissemos que o movimento é energia total. Essa visão intuitiva captou, viu, esse extraordinário movimento, e ele é parte dessa energia. (Idem, pág. 179)
Que entendemos por intuição? Por sentimento intuitivo, entendemos um sentimento não racionalizado, não muito logicamente pensado, um sentimento que atribuímos a uma fonte situada fora da mente, a que chamamos um lampejo da consciência superior.
Sem compreender integralmente o processo do desejo, não podeis confiar na intuição, pois ela pode ser extraordinariamente enganosa. (…) Não alegueis que os cientistas têm a percepção intuitiva de um problema. Os cientistas trabalham, impessoalmente, lutam com o problema, lutam, lutam, e, não conseguindo achar a solução, põem-no de lado; quando recomeçam a trabalhar, vêem subitamente a solução - eis a sua intuição. (…)
Acontece com a maioria de nós que a mente-coração não é capaz de permanecer aberta para tal êxtase. A “inspiração” é acidental, não provocada, grande demais para a nossa mente-coração. A inspiração é maior do que aquele que a experimenta, e por isso procura ele baixá-la ao seu próprio nível, à órbita de sua compreensão.
Pergunta: “Insight” não é intuição? O senhor poderia discutir essa súbita clareza que algumas pessoas têm? (…)
Krishnamurti: Durante as várias palestras já realizadas, o orador tem usado a palavra “insight”. Isso significa ver dentro das coisas, dentro do mecanismo total do pensamento (…) Não é análise, não é exercício da capacidade intelectual, nem resultado do conhecimento. (…) (Perguntas e Respostas, pág. 20)
Essa palavra, “intuição”, é, pode-se dizer, uma palavra ardilosa, que muitos usam. A realidade da intuição pode ser resultado do desejo. Uma pessoa pode desejar algo e, então, após alguns dias, ter uma intuição sobre isso. (…) Fica-se então em dúvida quanto a essa palavra, especialmente quando é usada por pessoas um tanto românticas, imaginativas, sentimentais e que buscam algo.
Portanto, o que é “insight”? É perceber algo instantaneamente, algo verdadeiro, lógico, sensato, racional. O insight deve operar instantaneamente. Não se trata de se ter um insight e não se fazer nada a respeito. Se a pessoa tem um insight dentro da natureza total do pensamento, há uma ação instantânea. (Perguntas e Respostas, pág. 21)
Por outro lado, um insight significa que há uma ação que não é uma simples repetição do pensamento. Ter um insight (…) significa que se está observando sem recordações, sem argumentação pró e contra, é somente observar o movimento e a natureza totais da necessidade (…) Uma pessoa tem um insight disso e, a partir daí, ela age. E essa ação é lógica, sensata e saudável. Uma pessoa não pode ter um insight e agir de modo oposto; isso não é um insight. (Idem, pág. 21)
Insight é a percepção total de todo esse movimento complexo de mensuração. Você só pode ter esse insight quando percebe sem conhecimento prévio, pois, se estiver usando seus conhecimentos, então ele é comparativo, mensurável.
O insight não é mensurável. Quando há o insight imensurável, o desdobramento de todo o mecanismo de comparação não só é dividido, mas cessa imediatamente. Você pode testar isso; (…) (Perguntas e Respostas, pág. 113)
Pergunta: A intuição compreende a experiência passada e mais alguma coisa, ou somente a experiência passada?
Krishnamurti: Para mim, intuição é inteligência, e inteligência não é a experiência do passado, mas a compreensão dessa experiência. (A Luta do Homem, pág. 51)
Para mim, o passado é uma carga, e representa apenas lacunas na compreensão. (…)
Mas, se houver ação espontânea no presente, em contínuo movimento, nela haverá inteligência, e essa inteligência é intuição. A inteligência não pode separar-se da intuição. (Idem, pág. 51-52)
Como pode o indivíduo despertar essa inteligência, essa intuição criadora que compreende o significado da realidade sem o processo da análise e da lógica? Por intuição não quero dizer preenchimento do desejo, como faz a maioria das pessoas. Se a moral, que significa relações mútuas, for baseada na inteligência e na intuição, então haverá riqueza, plenitude e uma constante beleza na vida. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 31)
Para que possa vir à existência essa intuição criadora, todo anseio com seus temores deve cessar. A cessação da carência não é resultado da abstenção. Nem por meio da análise cuidadosa pode o desejo ser racionalmente afastado. A libertação da carência, de seus temores e ilusões, vem por meio da percepção silenciosa e persistente, sem a escolha deliberada da volição (…)
Ora, quando é que compreendeis (…) Não sei se já notastes que só há compreensão quando a mente está muito quieta (…); dá-se o lampejo da compreensão quando não há verbalização do pensamento. Experimentai-o e vereis que tendes o clarão da compreensão, aquela extraordinária rapidez da intuição, quando a mente está muito tranqüila, quando o pensamento está ausente (…)
Explicarei novamente (…) Se entenderdes isto, se realmente sentirdes com todo o vosso ser - isto é, emocional e mentalmente - a futilidade da escolha, então já não escolhereis; então há discernimento; há resposta intuitiva que é livre de escolha, e isso é apercebimento.
É preciso muito cuidado com esta palavra “intuição”; nela se encerra muita ilusão, porquanto a intuição pode ser ditada por nossas próprias esperanças, temores, amarguras, desejos, etc. Procuramos uma solução de ordem intelectual ou emocional, como se o intelecto fosse coisa separada da emoção, e a emoção, da reação física
Não estou negando que haja intuição, porém o que a pessoa mediana, vulgar, denomina intuição, não é a verdadeira
A palavra “intuição” (…) é perigosa em extremo. Desejo uma certa coisa muito profundamente; sinto que é um desejo justo, e chamo-o “intuição”. (…) Só de uma coisa sabemos: que nossa mente, tal como os macacos, está sempre inquieta, a fazer algazarra, a saltar de um lado para outro, a mexer-se incessantemente, a pensar, a afligir-se. (…)
Dizemos então: “Como exercitá-la para quietar-se?”. Passamos anos e anos a exercitá-la para quietar-se e, ao cabo desse tempo, ela se torna um macaco de outra espécie. (
Krishnamurti: Quando falamos de intuição, voz interior, que quer dizer isso? Essa voz interior pode ser completamente falsa. (…) Estou procurando averiguar se a intuição é verdadeira ou falsa. Ora, sem dúvida, enquanto não compreendemos o processo do desejo, consciente (…) e inconsciente, não podemos fiar-nos na intuição, porque o desejo pode conduzir-nos a certos “fatos” que não são fatos absolutamente. (…)
(…) Pelo discernimento sem escolha, se desperta a intuição criadora, a inteligência que é a única a poder libertar a mente-coração dos múltiplos processos sutis da ignorância, da carência e do medo.
A crença não deve ser confundida com a intuição, e a intuição não é preenchimento de desejo. A crença (…) baseia-se na evasão, na frustração, na limitação, e essa mesma crença impede a mente-coração de dissolver a ignorância autocriada.
(…) Não estando diretamente em contacto com um Mestre, precisamos depender ou dum intermediário, ou de nossa chamada intuição. A dependência de um intermediário destrói a compreensão e o amor; (…) condiciona a mente; e a chamada intuição tem seus graves perigos, pois ela pode ser somente um desejo auto-enganador.
O importante ,pois, é que se perceba a verdade num súbito clarão, que se esteja sensível num tão alto grau, que o fato revele instantaneamente a verdade. Mas isso requer muita humildade;
(…) Quanto mais harmonizarmos os nossos sentimentos fortes e a mente penetrante pelo aperfeiçoamento e purificação, tanto mais aptos estaremos para ouvir essa Voz, a Intuição, que é comum a todos, a Intuição que é da Humanidade e não de um indivíduo particular (…)
Assimilando esse ideal (…) Uma perfeita harmonia de emoções e da mente é essencial para que essa Intuição, essa Voz do vosso verdadeiro Ego (Self) se possa expressar. A Intuição é o cochicho do Espírito.
(…) Se nesse momento entenderdes com todo o vosso ser, se nesse momento ficardes consciente da futilidade da escolha, então brotará daí a flor da Intuição, a flor do discernimento. A ação que daí nasce é infinita; então a ação é a própria vida.
Para cultivar essa Voz até se tornar o único Tirano, a única Voz a que obedecemos, temos de descobrir o nosso alvo e trabalhar incessantemente para atingi-lo. (…) A primeira coisa essencial é o fortalecimento dessa Voz que de vez em quando se afirma por si mesma em cada um de nós. E ao cultivarmos e enobrecermos a Intuição, devemos aprender a pensar e a agir por nós mesmos. O culto dessa Voz da Intuição quer dizer uma vida de acordo com os seus éditos.
(…) Quando tendes esse desejo, essa capacidade de vos encher com o Seu gênio, com a Sua força, com a Sua nobreza, então vós próprios vos enobreceis e aprendeis a refletir a Sua divina originalidade, todas as fontes de beleza, de criação; e as tentativas de ser original, belo, criador, são de pouco proveito se não tivermos a compreensão e a capacidade de alcançar a fonte das coisas. (…)
A única autoridade que reconheceis, o único comando que admitis, deve ser a Voz dessa Intuição, que é inalterável, que coisa alguma no mundo pode abalar. Desse modo desenvolvereis gradualmente esse senso de beleza, que é vossa própria criação (…)
Deveis viver lá vossa própria vida, obedecer à vossa própria Voz, achar vosso próprio Mestre (…) Não podeis ser felizes enquanto não fizerdes a felicidade de outros, e só podeis tornar outros felizes, se houverdes entrado nesse Reino, se houverdes colhidos os murmúrios daquela Voz que é Eterna (…)
E, como disse antes, deve vir um tempo, virá um tempo, em que aquela Voz, aquele Tirano, vos dirá que renuncies a tudo e a sigais; e para esse tempo deveis estar preparados. Deveis ter o vosso jardim bem sachado e cultivado, e as suas flores prontas a serem colhidas. Então podereis dar da vossa devoção, da vossa inteligência, com maior certeza, com maior conhecimento de que elas serão aproveitadas, porque as exercitastes, porque as cultivastes, porque conheceis a capacidade delas; (…)
Enquanto marchardes com visão clara, enquanto ouvirdes essa Voz que é universal e a ela obedecerdes, não importa o que diga quem quer que seja no mundo; porque estareis com a razão, quando estiverdes obedecendo ao Altíssimo. (…)
Como o trovão é cheio de forças, ameaças e mistério, assim é a Voz da Verdade no homem forte. Como a voz do trovão é projetada de montanha em montanha, e como cada montanha a recebe e devolve a outra, assim é a voz dEle - o nosso Governador, nosso Legislador, nosso Guia e nosso Amigo - no homem que está seguindo a Verdade absoluta, a Verdade de sua própria criação.
Como, porém, posso ter essa visão intuitiva? O que devo fazer, ou não fazer, para ter essa visão intuitiva instantânea, que não pertence ao tempo, (…) à memória, que não possui nenhuma causa (…)? Portanto, como a mente tem essa visão intuitiva? (…) Essa visão intuitiva torna-se possível se a sua mente estiver liberta do tempo.
(…) Antes, a ação estava baseada no pensamento. Agora, quando existe visão intuitiva, há somente ação. (…) Porque a visão intuitiva é racional, a ação é racional. A ação se torna irracional quando atua a partir do pensamento. Portanto, a visão intuitiva não usa o pensamento.
Uma visão intuitiva parcial. Os cientistas, os pintores, os arquitetos, os médicos (…) têm uma visão intuitiva parcial. Estamos falando, porém, de “X” e de “Y”, que estão procurando a base; estão se tornando racionais, e estamos dizendo que a visão intuitiva não possui tempo e, portanto, não possui pensamentos, e essa visão intuitiva é ação. (…)
É possível termos uma visão intuitiva total, o que representa o fim de “mim”, porque o “mim” é o tempo? O “mim”, meu ego, minha resistência, minhas mágoas, tudo isso. Esse “mim” pode acabar? É somente quando ele acaba que ocorre a visão intuitiva total; foi isso que descobrimos.
Porque se você possui essa visão intuitiva, ela é uma paixão, e não apenas uma hábil visão intuitiva; ela é uma paixão que não permitirá que fique parado; terá de se mover, dar seja lá o que for. (…) Você possui a paixão dessa visão intuitiva; e essa paixão é como um rio com um grande volume de água que transborda; ela tem de avançar da mesma maneira.
Não necessariamente. Poderíamos considerar que a visão intuitiva é um movimento mais amplo do que o processo material que ocorre no cérebro e, conseqüentemente, que o movimento mais amplo pode agir sobre o movimento mais restrito, mas o mais restrito não pode agir sobre o mais amplo.
Sim, estamos dizendo a mesma coisa. (Idem, pág. 139) [N.Revisor: Este parágrafo não acrescenta coisa alguma à obra. Sugiro eliminá-lo.]
Uma coisa acaba de surgir na minha mente. O amor não tem nenhuma causa. O ódio tem uma causa. A visão não tem nenhuma causa. O processo material, como o pensamento, tem uma causa. Certo? (Idem, pág. 143)
Uma vez que a visão intuitiva não possui causa, ela tem um efeito preciso sobre aquilo que tem causa. (Idem, pág. 143)
É um lampejo, naturalmente, e esse lampejo altera todo o padrão, opera sobre ele; usa o padrão, no sentido de que eu argumento, raciocino, uso a lógica, e tudo isso. (…) (Idem, pág. 144)
O processo material está trabalhando na escuridão, no tempo, no conhecimento, na ignorância. Quando, surge a visão intuitiva, ocorre a eliminação daquela escuridão. Isso é tudo que estamos dizendo. A visão intuitiva elimina aquela escuridão (…) Conseqüentemente, essa luz alterou, digo, ela pôs fim à ignorância. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 147)
(…) Essa escuridão existe enquanto o “eu” (self) está ali; ele é o criador dessa escuridão, mas a luz dissipa exatamente o centro da escuridão. Isso é tudo. (…) (Idem, pág. 149)
O pensamento tem atuado na escuridão, criando sua própria escuridão e funcionando nela; e a visão intuitiva é, como dissemos, como um lampejo que atravessa a escuridão. Quando, então, essa visão intuitiva clareia a escuridão, o homem pode atuar, ou funcionar racionalmente? (Idem, pág. 159)
Dissemos que, enquanto o centro estiver criando a escuridão, e o pensamento estiver operando nela, haverá desordem e a sociedade será como é agora. Para nos afastarmos disso, temos de ter a visão intuitiva. A visão intuitiva só pode ocorrer quando há um lampejo, uma luz, uma luz repentina, que elimina não apenas a escuridão como também o seu criador. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 162)
Não está ligada ao tempo. Dissemos que a visão intuitiva é a eliminação da escuridão, que é o próprio centro do “eu” (self) (…) A visão intuitiva dissipa exatamente esse centro. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 160)
Naquela base não há escuridão como escuridão, ou luz como luz. Naquela base não há divisão. Nada tem origem na vontade, no tempo, ou no pensamento.
D.B. [N.Revisor: Essas iniciais não significam nada para os novos leitores. Precisamos especificar que é o David Bohm]: Está dizendo que aquela luz e aquela escuridão não estão divididos?
Krishnamurti: Exatamente.
D.B.: O que é a mesma coisa que dizer que não há nem uma nem outra coisa?
Krishnamurti: Nem uma nem outra; é isso mesmo. Há algo mais. Há uma percepção de que existe um movimento diferente, que é “não-dualista” (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 171)
Quero me referir ao movimento, o movimento que não é tempo. Esse movimento não cria divisão. Portanto, quero voltar, chegar à base. Se, nessa base, não há nem escuridão nem luz, não há divisão - o que acontece então? (Idem, pág. 171)
Dissemos que o movimento é energia total. Essa visão intuitiva captou, viu, esse extraordinário movimento, e ele é parte dessa energia. (Idem, pág. 179)
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