Atenção Plena

Atenção Plena

O termo atenção plena, mente alerta ou ainda consciência plena (ing. mindfulness, al. Achtsamkeit, fr. pleine conscience) designa uma atitude mental que se caracteriza por uma atenção ampla e tolerante dirigida a todos os fenômenos que se manifestam na mente consciente - ou seja todo tipo de pensamento, fantasias, recordações, sensações e emoções percebidas no campo de atenção são percebidas e aceitas como elas são.

O treinamento e aprendizado dessa forma de atenção, geralmente através de meditação e de outros exercícios afins, permite ao indivíduo uma maior tomada de consciência de seus processos mentais e de suas ações.

A atenção plena, originalmente um conceito da meditação budista, desempenha um papel importante em várias formas recentes de psicoterapia, como a terapia comportamental dialética, o programa de redução do estresse baseado na mente alerta e a terapia de aceitação e compromisso.

Índice
1 Atenção plena no Budismo (Sati)
2 Atenção plena e psicoterapia
3 Referências
4 Bibliografia
5 Ligações externas


Atenção plena no Budismo (Sati)

Na tradição espiritual budista a quarta das Quatro Nobres Verdades refere-se ao caminho que conduz ao fim do sofrimento. As oito seções em que se subdivide esse caminho, chamado por isso Nobre Caminho Óctuplo, apresentam-se divididas em três grupos, o terceiro dos quais (Samadhi, meditação ou concentração) refere-se à disciplina necessária para se obter o controle sobre a própria mente, e assim, o fim do sofrimento.

A disciplina meditativa engloba assim três seções: o esforço correto (Samma Vayamo) para melhorar, a atenção plena correta (Samma Sati) e a meditação correta (Samma Samadhi).

Atenção plena designa, nesse contexto, um prestar atenção àquilo que é, de momento a momento.

A prática da atenção plena ensina a suspender temporariamente todos os conceitos, imagens, juízos de valor, interpretações, comentários mentais e opiniões, conduzindo a mente a uma maior precisão, compreensão, equilíbrio e organização.

Atenção plena e terapia

O uso de técnicas de meditação budista para fins medicinais-psicoterapeuticos é registrado pelo menos desde o século VIII, quando o monge zen-budista japonês Guifeng Zongmi descreveu, entre seus cinco tipos de meditação, um tipo dedicado às pessoas comuns, completamente isento de objetivos religiosos e voltado à saúde física e mental. Uma maior divulgação da meditação ocorreu, no entanto, apenas na década de 60 do séc. XX, com a vinda do monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh.

Nos últimos anos um grande número de autores e pesquisadores, entre eles o médico americano Jon Kabat-Zinn e os psicólogos americanos Marsha M. Linehan e Steven C. Hayes, vêm se dedicando ao trabalho de oferecer para a meditação um referencial teórico científico, possibilitando assim seu uso terapêutico independentemente da conceituação religiosa budista e abrindo sua prática para um público mais amplo.

A pesquisa mais recente oferece indícios de que uma série de terapias baseadas na atenção plena podem ser bem sucedidas no tratamento de dores crônicas, de estresse, e de comportamento suicidal recorrente.

Referências
↑ Bishop, S.R., Lau, M., Shapiro, S., Carlson, L., et al. (2004). "Mindfulness: A Proposed Operational Definition", Clin Psychol Sci Prac 11:230–241.

↑ Bhavana Society Plena atenção hábil - Parte 1.

↑ Fischer-Schreiber, Ingrid, Franz-Karl Ehrhard, Michael S. Diener & Michael H. Kohn (trans.) (1991). The Shambhala Dictionary of Buddhism and Zen. Boston: Shambhala.

↑ Thich Nhat Hanh. BBC (2006-04-04). Página visitada em 2008-05-25. "Thich Nhat Hanh is a world renowned Zen master, writer, poet, scholar, and peacemaker. With the exception of the Dalai Lama, he is today's best known Buddhist teacher"

↑ Thich Nhat Hanh. Time (November 5, 2006). Página visitada em 2008-05-25. "One of the most important religious thinkers and activists of our time, Nhat Hanh understood, from his own experience, why popular secular ideologies and movements?nationalism, fascism, communism and colonialism?unleashed the unprecedented violence of the 20th century.[...] Nhat Hanh, now 80 years old and living in a monastery in France, has played an important role in the transmission of an Asian spiritual tradition to the modern, largely secular West."

↑ McCracken, L., Gauntlett-Gilbert, J., and Vowles K.E. (2007). "The role of mindfulness in a contextual cognitive-behavioral analysis of chronic pain-related suffering and disability", Pain 131.1:63-69.

↑ Grossman, P., Niemann, L., Schmidt, S., and Walach, H. (2004). "Mindfulness-based stress reduction and health benefits: A meta-analysis", Journal of Psychosomatic Research 57:35–43.

↑ Williams, J.M.G., Duggan, D.S., Crane, C., and Fennell, M.J.V. (2006). "Mindfulness-Based cognitive therapy for prevention of recurrence of suicidal behavior", J Clin Psychol 62:201-210.


Bibliografia

Bell, L. G. (2009). "Mindful Psychotherapy". J. of Spirituality in Mental Health 11:126-144.

Bishop, S.R., Lau, M., Shapiro, S., Carlson, L., et al. (2004). "Mindfulness: A Proposed Operational Definition", Clin Psychol Sci Prac 11:230–241. (Em inglês)

Fischer-Schreiber, Ingrid, Franz-Karl Ehrhard, Michael S. Diener & Michael H. Kohn (trans.) (1991). The Shambhala Dictionary of Buddhism and Zen. Boston: Shambhala. ISBN 0-87773-520-4

Germer, Christopher K.; Siegel, Ronald D. & Fulton, Paul R. (2005). Mindfulness and Psychotherapy. The Guilford Press. ISBN: 1593851391

Grossman, P., Niemann, L., Schmidt, S., and Walach, H. (2004). "Mindfulness-based stress reduction and health benefits: A meta-analysis", Journal of Psychosomatic Research 57:35–43.

Hanh, Thich Nhat (2004). Os cinco treinamentos para a mente alerta. Vozes. ISBN: 8532630308.

Kabat-Zinn, John(2009). Achtsamkeit für Anfänger. Freiamt a. Sch.: Arbor-Verlag. ISBN 978-3-936855-61-6

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Melemis, Steven M. (2008). Make Room for Happiness: 12 Ways to Improve Your Life by Letting Go of Tension. Better Health, Self-Esteem and Relationships. Modern Therapies. ISBN 978-1-897572-17-7

Williams, J.M.G., Duggan, D.S., Crane, C., and Fennell, M.J.V. (2006). "Mindfulness-Based cognitive therapy for prevention of recurrence of suicidal behavior", J Clin Psychol 62:201-210.

Williams, Mark, John Teasdale, Zindel Segal, and Jon Kabat-Zinn (2007). The Mindful Way through Depression: Freeing Yourself from Chronic Unhappiness. Guilford Press. ISBN 978-1-59385-128-6.

Misticismo

Misticismo (do grego μυστικός, transl. mystikos, um iniciado em uma religião de mistérios) é a busca da comunhão com a identidade, com, consciente ou consciência de uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta ou intuitiva.[1]

Do livro de Jakob Böhme "O Príncipe dos Filósofos Divinos"[2], o misticismo se define por: o misticismo, em seu mais simples e essencial significado, é um tipo de religião que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus,ou com a espiritualidade, com a consciência da Divina Presença.

É a religião em seu mais apurado e intenso estágio de vida. O iniciado que alcançou o "segredo" foi chamado um místico. Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar a experiência mística.

"O místico é aquele que aspira a uma união pessoal ou a unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc. (Lewis, Ralph M)" *[3]

Índice
1 Visão geral
1.1 Definição
1.2 Na teologia
2 Citações no livro: O Mundo de Sophia
3 Místicos cristãos
4 Outros místicos
4.1 Outras personalidades místicas
5 Correntes Místicas
6 Místicos Orientais
7 Ver também
8 Ligações externas
9 Notas


Visão geral

A palavra "místico" era empregada pela primeira vez no Mundo Ocidental, nos escritos atribuídos a "[[Pseudo-Dionísio, o Arejkjk jopagita|Dionysius, o Aeropagite]]", que apareceu no final do século V. Dionysius empregou a palavra para expressar um tipo de"Teologia", mais do que uma experiência.

Para ele e para muitos intérpretes, desde então, o misticismo se baseava em uma teoria ou sistema religioso que concebe Deus como absolutamente transcendente, além da Razão, do pensamento, do intelecto e de todos os processos mentais.

A palavra, desde então, tem sido usada para os tipos de "conhecimento" esotérico e teosófico, não suscetiveis de verificação. A essência do misiticismo é a experiência da comunicação direta com Deus.

A palavra misticismo tem origem no idioma Grêgo μυστικός = "iniciado" (nos "Mistérios de Eleusinian", μυστήρια = "mistérios", referindo-se as "Iniciações"[4]) é a busca para alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, lucidez ou consciência da realidade última, do divino, Verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta, intuição, ou insight; e a crença que tal experiência é uma fonte importante de conhecimento, entendimento e sabedoria.

As tradições podem incluir a crença na existência literal de realidades empíricas, além da percepção, ou a crença que uma verdadeira percepção humana do mundo trancenda o raciocínio lógico ou a compreensão intelectual.

O termo "misticismo" é freqüentemente usado para se referir a crenças que são externas a uma religião ou corrente principal, mas relacionado ou baseado numa doutrina religiosa da corrente principal. Por exemplo, Kabala é a seita mística dominante do judaísmo, Sufismo é a seita mística do Islã, e Gnosticismo refere geralmente a várias seitas místicas que surgiram como alternativas ao cristianismo. Enquanto religiões do Oriente tendem a achar o conceito de misticismo redundante, e o conhecimento tradicional e ritual são considerados como Esotericos, por exemplo, Vajrayana e Budismo.

Definição

Uma definição de misticismo não poderia ser ao mesmo tempo significativa e de abrangência suficientemente para incluir todos os tipos de experiências que têm sido descritas como "místicas".

Por definição natural, misticismo é a prática, estudo e aplicação das leis que unem o homem à Natureza e a Deus.

Desta forma, a Mística se distingue da Religião por referir-se à experiência direta e pessoal, com a divindade, com o transcendente, sem a necessidade de intermediários, dogmas ou de uma Teologia.

[editar] Na teologia
Conjunto de práticas religiosas que levam à contemplação dos atributos divinos. Estado natural ou disposição para as coisas místicas, religiosas; religiosidade.

[editar] Citações no livro: O Mundo de Sophia
Citando o livro "O Mundo de Sophia", quando fala sobre Misticismo:

Uma experiência mística significa experimentar a sensação de fundir sua alma com Deus. É que o "eu" que conhecemos não é nosso "eu" verdadeiro e os místicos procuravam conhecer um "eu" maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, universo, etc. No entanto, para chegar a esse estado de plenitude, é preciso passar por um caminho de purificação e iluminação através de uma vida simples.

Encontra-se tendências místicas nas maiorias religiões do mundo. Na mística ocidental ( judaísmo, cristianismo e islamismo ), o místico diz que seu encontro é com um Deus pessoal. Na oriental ( hinduísmo, budismo e religião chinesa ) o que se afirma é que há uma fusão total com deus, que é o espírito cósmico. É importante notar que essas correntes místicas já existiam muito antes de Platão e que pessoas de nossa época têm relatado experiências místicas como uma forma de experimentar o mundo sob a perspectiva da eternidade. (O Mundo de Sophia).

As correntes místicas pregam a experiência direta do divino, comumente chamada de experiência mística, e muitas vezes descrita como iluminação. A experiência mística é um estado de consciência em que o místico tem um vislumbre daquilo que está além deste plano físico, e muitas vezes é descrito como união com o Todo. Isto só pode ser alcançado, segundo os místicos, por uma disciplina espiritual que visa distanciar-se das coisas mundanas.

Muitas vezes a experiência mística é descrita por aqueles que a sentem como uma "visão ou percepção direta de Deus". Tais fenômenos estão presentes tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento da Bíblia e na cultura oriental (budismo, hinduísmo, yoga, etc.).

O místico procura na prática espiritual e no estudo das coisas divinas, mais que na racionalidade, as bases para suas concepções de vida, embora muitas vezes o misticismo esteja envolvido com intrincados sistemas que o fundamentam. Este é o caso da Cabala, a tradição esotérica dos judeus.

A experiência mística é o modo como o místico entra em contato com o Divino.

[editar] Místicos cristãos
Agostinho de Hipona (354-430)
Angelus Silesius (1624-1677)
Anselmo de Cantuária (1033-1109)
Clemente de Alexandria (? - 216)
Emanuel Swedenborg (1688-1772)
Francisco de Assis (1181-1226)
George Fox (1624-1691)
Hildegarda de Bingen (1098-1179)
João da Cruz (1542-1591)
Jacob Boehme (1575-1624)
Max Heindel (1865 - 1919)
Mestre Eckhart (c. 1260 - 1327/8)
Teresa de Ávila (1515-1582)
Thomas Merton (1915-1968)
William Blake (1757-1827)
Jacques Fesch (1930-1957)


[editar] Outros místicos
Alguns exemplos de outros místicos:

Abdalfader foi uma personagem mística persa
Aldous Huxley
Aleister Crowley (magick e Thelema)
Allen Ginsberg
Bob Marley
Carlos Castaneda
Dinis de Portugal (o Rei-Poeta)
Elias Ashmole
Franz Bardon
Francis Bacon
Harvey Spencer Lewis (AMORC)
Isaac Newton
Jiddu Krishnamurti
Joseph Beuys
Leonardo da Vinci
Louis Claude de Saint-Martin
Michael Maier
Paracelso
Plotinus (Neo Platonismo)
Raimundo Irineu Serra
Ralph Waldo Emerson
Ramon Llull
Raul Seixas
René Descartes
Robert Fludd
Samael Aun Weor
Walt Whitman
William Shakespeare


[editar] Outras personalidades místicas
Séculos pré-Manifestos

Rainha Santa Isabel (alquimia das Rosas), Nostradamus, Michael Servetus, Luís Vaz de Camões, John Dee, Giordano Bruno, Heinrich Khunrath, Lutero, Caspar Schwenckfeld, Sebastian Franck, Valentin Weigel, Johann Arndt
Séculos XVII e XVIII

Coménio (Jan Amos Komenský), Gottfried Wilhelm Leibniz, Alessandro Cagliostro, Johann Wolfgang von Goethe, Conde de St. Germain, Johann Sebastian Bach
Séculos XIX e XX

Vitor Hugo, Paschal Beverly Randolph, Edward Bulwer-Lytton, Franz Bardon, Franz Hartmann, William Wynn Westcott, Samuel Liddell MacGregor Mathers, Richard Wagner, Rudolf Steiner, Max Heindel, Arnold Krumm-Heller, Reuben Swinburne Clymer, Harvey Spencer Lewis, George Alexander Sullivan, Hermann Hesse, J. van Rijckenborgh, Samael Aun Weor,Bhagwan Shree Rajneesh - Osho.
[editar] Correntes Místicas

O Olho que tudo vê ou Olho da Providência que aparece na torre da Catedral de Aachen.São doutrinas ou correntes de pensamento que podem ser consideradas vertentes do Misticismo:

Alta Magia Prática de Franz Bardon
Budismo
Cabala
Cristianismo místico
Gnosticismo
Grande Fraternidade Branca
Martinismo
Rosacrucianismo
Santo Daime
Sufismo
Taoísmo
Xamanismo
Yoga
Essênios
Místicos Orientais

Uma grande estátua em Bangalore retratando Shiva meditando Buda
Lao Tsé
Swami Sivananda
Zoroastro
Ramana Maharshi
Bhagwan Shree Rajneesh - Osho
[editar] Ver também
Alquimia
Essênios
Esoterismo
Hermetismo
Magia
Ocultismo
Teosofia
Rosacrucianismo
Deus
Parapsicologia
Neuroteologia
Pseudociência
[editar] Ligações externas
Curso de Alta Magia de Franz Bardon
Curiosidades sobre Franz Bardon e cursos
Ordem Martinista dos Essênios
Site sobre os fenômenos da pesquisa psi
Wikipédia em Inglês
Notas
↑ James, William. The Varieties of Religious Experience: A Study in Human Nature. ISBN 0-679-64011-8
↑ Do livro: Jacob Boehme - O Príncipe dos Filósofos Divinos página 29 (Título original: BOEME (RAD10 - SUPREMA GRANDE LOJA - AMORC) 1º Edição em Língua Portuguesa, Setembro de 1983 Biblioteca Rosacruz. Composto e Impresso na Grande Loja do Brasil - Curitiba, Paraná
↑ * ::Lewis, Ralph M., ALQUIMIA MENTAL, Biblioteca Rosacruz, Editora Renes, Rio de Janeiro, número XX, 1982.
↑ Os Mistérios Eleusinianos, ou Religião de mistérios em geral, não necessáriamente envolvendo o misticismo; o significado presente do termo surgiu, antes, via Platonismo e Neoplatonismo, que faz referência à iniciação de Eleusinian como uma metáfora para a "iniciação" as verdades espirituais.